the raging suffragette

o tiro no pé

Ainda por perceber, tenho a razão pela qual a pílula é associada com o “movimento de libertação das mulheres”. Dizia-se que, assim, já podiam ter sexo com a mesma liberdade que um homem, sem recear a gravidez.
Mas esta “liberdade” vinha a que preço?

É só de mim, ou tomar um comprimido diário para reter todas as minhas hormonas naturais assemelha-se demasiado a manter uma vaca hormonada para produzir continuamente leite, de uma forma ainda mais distorcida?

E porque é que fomos tão rápidos a inventar uma pílula feminina (logo nos anos 60), mas a masculina está eternamente em investigação?

É só reparar como a partir da utilização generalista da pílula a mulher se tornou ainda mais domesticada.
Dá-se-lhe um comprimido e podemos fodê-la á vontade. Se quisermos ter filhos, tiramos-lhe o comprimido para a engravidar. Assim tão simples, meus caros.

Consequências?
SERÁ que poderão surgir consequências de uma retenção de hormonas durante décadas? Como é que reagirá um corpo que deveria fluir naturalmente, de acordo com os seus ciclos naturais, a interrupções abruptas e medicamentações extremas?
Menopausas brutais e dolorosas. Cancros precoces. Outras complicações de saúde.

A parte mais engraçada disto?
É que quando uma mulher entra na Menopausa, a maior parte dos médicos será rápido no gatilho a propôr a famosa “Terapia Hormonal de Substituição”. Assim, sem mencionar, mais uma vez, as possíveis consequências.

É isso mesmo: passamos anos a tomar um comprimido para não ovular, e depois dão-nos outro para fazer de conta que ainda ovulamos.
Merda para isso.

April 30th 2009

"In sum, women’s liberation has been used in the attempt to sell women on pornography in much the same fashion as it was used to sell women on cigarettes beginning almost a century ago."

- Is Pornography the New Tobacco?” (via reversecowgirl)

Reblogged from the reverse cowgirl.

Thursday, April 30th 2009 4:26pm

o parto masculinizado

Volta e meia costumo ler o blog da Rita. Eu gosto da Rita, acho que é uma gaja às direitas.
De profissão, além de outras, tem uma que admiro, que é a de doula. Ela sabe como funciona o corpo de uma mulher. Sabe porque é uma, que o experimenta na sua plenitude, e sabe porque o seu trabalho é o de acompanhar mulheres nas suas gravidezes.

E hoje tocou num tema que acho interessante explorar: a aplicação excessiva e voluntária de cesarianas para realizar partos.

Para mim, que já passei pelo evento de dar à luz, tenho que a cesariana e a indução de partos, quando não aplicadas em casos de claro risco e necessidade, são duas intervenções impingidas por homens.

O parto sempre foi um momento feminino. Na hora de trazer a criança ao mundo, os homens eram expulsos e as mulheres rodeavam a futura mãe para a ajudar no processo.
A parteira, ou a ‘midwife’ em inglês, sempre foi uma mulher, nunca um ‘midhusband’.

O acto de parir é algo que demora 9 meses a tomar forma e, de maneira alguma, é compreensível sem que por ele tenhamos passado.
As mudanças físicas, e psicológicas, são imensuráveis e é nessa altura que percebemos que fazemos parte de algo maior que nós: a Natureza, que foi a que nos deu a capacidade de nos auto-superarmos num acto de transformação único.

E será possível explicar isto a um homem? Não me parece.
Vai daí que, no advento da medicina moderna, no seu desejo de controlo absoluto, tratou de transformar este acto natural, até então interdito ao seu sexo, numa intervenção cirúrgica.
Assim, podia fazer parte. Tinha uma palavra a dizer. Controlava e exercia pressão. Agora, já nem dar à luz ela podia sem ele.

Hoje, muitos obstetras ilustram as futuras mães sobre a conveniência de induzir partos ou marcar cesarianas nos dias que lhe são mais convenientes, como se o nascimento de uma criança fosse algo tão insignificante que pudesse ser marcado na sua agenda, entre a consulta das 11h e o almoço com o amigo .

E elas, mal informadas, pressionadas, assustadas, e acima de tudo inexperientes, acreditam. E marcam. E têm os filhos pela barriga, porque assim “quando acordam o bébé já está vestido ao seu lado”. Ou induzem partos, e incorrem em experiências dolorosas e traumáticas porque não deixaram o seu corpo seguir o caminho que necessitava, naturalmente.

Esta imagem abaixo é de uma ‘invenção’ patenteada de 1965, supostamente para ajudar as ‘mulheres civilizadas’ a darem à luz, pois não teriam um sistema muscular suficientemente forte para o fazerem por si próprias.
Claro. Se segundo a concepção do homem, uma mulher nem tem vagina, a não ser para receber o seu pénis, quanto mais para fazer sair um ser humano?

Olho para a máquina e parece-me um instrumento de tortura medieval.
Pensando bem, dizerem-me que é mais ‘prático’ abrirem-me para retirarem o meu filho também me parece muito medieval.

Para ler, na New Yorker, um artigo sobre a evolução da Obstetrícia.
Para rir, o muito conhecido sketch dos Monty Python que retrata um nascimento no esplendor da Medicina.

April 19th 2009